Acho que a história começou mais ou menos assim: andando pelas ruas de Nova York um fotógrafo freelancer do The New York Times olhou pro chão e ficou intrigado com as inscrições em uma das milhares de tampas de bueiros de Manhattan: made in India.

A partir daí ele deve ter ficado imaginando como diabos essas tampas tinham vindo de tão longe para manter em segredo os subterrâneos da Big Apple, e resolveu partir para a Índia e descobrir.
O resultado é uma matéria publicada no The New York Times e uma coleção de fotos que deixam bem claras as condições em que são produzidos os discos sobre os quais os novaiorquinos caminham todos os dias.
Na Índia as condições de trabalho são daquele jeito que nós já nos acostumamos a ver nos telejornais (sobre trabalhadores brasileiros), mas que parece não fazer parte da nossa realidade: homens que são quase escravos trabalhando em condições terríveis.
A falta total de consideração com os trabalhadores fica clara nas fotos, que parecem tiradas em uma fundição da Idade Média.

O engraçado é que um representante da Con Edison (a maior empresa de eletricidade de NY e um dos maiores compradores das tais tampas) afirmou que ficou absolutamente chocado quando viu as fotos.
A matéria e um vídeo com narração do fotógrafo estão disponíveis no Times.
Isso me lembrou de um dos nossos recentes motivos de orgulho nacional: o biodiesel brasileiro, que como você deve saber utiliza álcool de cana como reagente. Não necessariamente com álcool de cana, mas muitos estudos afirmam que esse é o mais limpo dos biodiesels, com a vantagem de ser 100% renovável.
Não é necessário forçar muito a memória para lembrar das condições de trabalho nos canaviais brasileiros. Será que a imagem do combustível limpo continuaria a mesma se fosse mais abertamente mostrado para o mundo o sistema de trabalho nas fazendas de cana-de-acúcar?
O Sakamoto (dica da minha colega Cláudia) escreve bastante sobre trabalho escravo e publicou em dezembro um texto chamado Trabalho degradante interdita usina de cana no MS. Vale a leitura.
Leia também:
- A reestruturação da Ilford
- Nikon Photo Contest International
- Fotografia inspirada em cenas de crime
- Hyperphotos – fotografias panorâmicas surreais
- Uma piscina e uma Mercedes de US$63.000
- A fotografia e a morte da modelo por Anorexia
- Calendário Pirelli 2007
- Canon EF 50mm f/1.2L
- Iraqi Kurdistan – uma viagem ao interior do Iraque
- Magnum faz tributo a Leonard Freed

Na verdade, ele já morava na India quando foi para NY, em sua visita ficou intrigado, e ao voltar pra India ele foi atrás da fábrica.
Escrevi sobre esse ensaio em novembro: bueiros de nyc, muito bom.
Abraços,
Manreza
Então a história é ao contrário. Mas de qualquer maneira ficou muito bom mesmo.
Henrique, acho que eu ainda não estava acompanhando o teu blog em novembro e por isso não tinha visto teu post.
Valeu pelo toque.
Isso é a Globalização…..
Cara , parabens pelo o blog , já esta nos meus favoritos , vou tentar acessar mais vezes , muito bom , parabens mesmo.
E relação a matéria , realmente lembra as condiçoes de muitos trabalhadores brasileiros , é revoltante .
Você fotografa ? Tem site ou flickr ?
Um abraço
Como era que os escravos conseguiam sobreviver aos espancamentos quando faziam algo de errado ou quando tentavam fugir?