Dudu Tomaselli

Opiniões, críticas, meu (mau) humor e um punhado de pensamentos!



Como transformar uma vaca em bife

Publicado em | 1 Março 2007 |


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Belo pedaço de carne grelhada esse aí de cima, hein?

Eu fiquei sem comer carne durante uns 3 anos lá pelo fim dos anos 80. Minha consciência na época tinha me chamado a atenção para o sofrimento dos animais e para a absoluta falta de necessidade de comer carne para viver bem.

Minha fase vegetariana acabou quando percebi que me incomodava mais não me alimentando de comida de origem animal do que se fosse um carnívoro inveterado.

Eu costumava comer sempre em um restaurante chamado Flor do Arroz e no centro Hare Krishna de Caxias do Sul. A comida do Flor do Arroz não era lá muito saborosa. Era arroz integral, saladas e mais umas coisas que não lembro. Já nos Hare era outra vida. A comida era saborosa, temperada e os sucos eram um absurdo de bons. O tempero indiano é perfeito.

Entre um e outro eu comia alguns cheeseburgers - sem hamburger e sem presunto. Eram várias fatias de queijo e muita alface.

Mas o meu problema era a convivência com o restante das pessoas que estavam no meu circulo de amizade. E a família, claro. Não era nada fácil encarar as churrascadas dos finais de semana e ter que ficar ouvindo piadas enquanto comia maionese, alface, tomate e pão.

Voltei a atacar a carne alheia e nunca mais me preocupei muito com isso. Em Porto Alegre ia almoçar na Sociedade Macrobiótica e achava engraçada a aparência doente dos clientes freqüentes.

Recentemente assisti ao documentário A Carne é Fraca, que me fez pensar em coisas que eu não tinha a menor noção nos anos 80. Coisas como o estrago provocado ao meio ambiente pela produção pecuária. Sem contar, é claro, com os métodos punks em que são criados e tratados os animais que depois vão ser jogados nas nossas panelas.

Hoje li um post no Blogueisso! chamado para deixar qualquer um vegetariano, com um link para um passo a passo de como transformar uma vaca em um bife. Ilustrado. Com fotos.

Não recomendo para as pessoas muito sensíveis. A Angela não quis nem ver.

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Comentários

  1. Leonardo Fontes
    1 Março 2007 @ 11:38 pm

    Cresci em uma cidade agrícula e vi muito esse tipo de abate - então o link que coloquei no blog nem me chocou tanto, até achei bem clean. A realidade da minha infância era um tanto mais grotesca. Vacas era abatidas com machados, com o qual se dava ama pancada na nuca, com lado oposto ao da lâmina, para ela cair. Depois sangrava-se o pescoço. Um outro método, menos brutal que o barulho do impacto do machado, era uma golpe de faca na base da nunca, quase sempre causando morte imediata. Existia uma certa “arte” na coisa toda. Só algumas pessoas podiam executar uma rês. Mas nada supera o abate de um porco, é talvez a mais barulhenta, desagradável e sofrida das formas de abate.

    Acho que as técnicas mereciam um estudo antropológico, talvez até exista. Aqui no interior do Nordeste o abates, de qualquer tipo de animal, até galinhas, são parecidos com a preparação da comida kosher (talvez uma influência dos cristãos novos). Em todos, o sangue é separado, a rês não morre de pancada, ou pela degola, como no caso das fotos no link, mas de hemorragia causada por um ferimento geralmente pequeno, mas preciso. A diferença é que os judeus usam, ou usavam, na ritualística de oferendas a Javé. Aqui fazemos alguns tipos de pratos. Cada um mais gostoso que o outro.

  2. Felipe
    2 Março 2007 @ 2:51 am

    ahh..eu nao dou a minima pra essas coisas nao. a vida é muito curta mesmo pra ficar se preocupando com como foi criado o boi. tem ser humano sendo criado muito pior que isso, no meio da rua e ninguem faz nada.
    e alem do mais…nao existe chance de eu conseguir resistir aquele cheiro de churrasco. ;p

    P.S.: vai dizer que tu tbm eh de caxias agora?? medo

  3. Bender
    2 Março 2007 @ 7:46 am

    Eu entendo perfeitamente como tu te sentia. Eu passei 5 anos sem beber e a pior parte era aguentar as pessoas me incomodando “nem uma cervejinha?”.

    Enfim, maus tratos com os animais é o de menos. Se não fossemos consumí-los eles nem existiriam, pra início de conversa. O brabo é os recursos necessários para tratá-los.

  4. Marcus Danillo
    4 Março 2007 @ 8:28 pm

    Acho que sou meio insensível. Entrei no link, vi todas as fotos (inclusive dos outros animais) e… fiquei com fome!

    Achei o do ovo mais impressionante. Os biólogos devem adorar!

  5. Lu
    5 Março 2007 @ 3:55 pm

    Noooooooossssssaaaaaaaaaaaaaaa…
    Que beleza os comentarios…

  6. raíssa
    26 Março 2007 @ 3:29 pm

    sao comentarios desse tipo q me fazem pensar na possibilidade da industria inverter esse TRISTE fato e passar a usar ‘PESSOAS’ como voces para serem vagarosamente torturadas…

    e ainda me perguntam pq eu gosto mais d animais….

    ?

  7. raíssa
    26 Março 2007 @ 3:33 pm

    alias, minha opiniao é essa dpois q assisti “a carne é fraca” .. é mais pesadinho q isso ae, assistam…

  8. Suria
    29 Maio 2007 @ 12:39 pm

    Também fui testemunha de vários métodos de chacina animal p/ alimentação, inclusive alguns bem “pitorescos” - particularmente com peixes, mas… não me incomodo pessoalmente se alguém é ou não é vegetariano.
    Eu sou - e procuro deixar claro de maneira gentil e educada qual a minha opção existencial ( ! ) sem ter que afirmar ( ou me afirmar!! …) através disso. Quando alguém pergunta - sempre perguntam, e não pouco - sobre o que sei sobre o vegetarianismo ou sobre mim, ótimo, eu respondo. Sempre são “vegetarianos não-assumidos”.
    Mas os “vegetarianos” mais problemáticos são os que tem sérios problemas de ordem emocional, no mais recôndito de suas relações psicoemocionais - sim, estou sendo pedante para ser irônica - com questões como: morte, sexualidade,corpo, família, relações sociais e mesmo diretamente sua oralidade: são os carnívoros “publicitários”, que agressivamente precisam se afirmar como tais, além de difamar-nos e desinformar quem quer que seja, bradando “eu coooomooo caaarrrrneee!” …. Certa feita, um chegou a levantar da mesa e em pleno refeitório universitário, gritou isso e bateu no peito como o king-kong!..han-ran…sei…(sic)
    Sim, esses são os “vegetarianos” problemáticos.
    Os não-vegetarianos, onívoros de qualquer ordem, bem-resolvidos, apenas e estoicamente preparam-nos pratos, com a mais gentil das gentis hospitalidades, perguntando se podem incluir ou não, ovos, na receita.
    E depois de alguns anos de convívio, perguntam-nos: “mas porquê mesmo é que vc não come carne, hein?”…

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