Esses últimos dias vão entrar para a história dos browsers. Primeiro a Microsoft anunciou o lançamento do beta 2 do Internet Explorer 8 e logo depois o Google disponibilizou o seu primeiro browser, o Chrome.
Os dois lançamentos não seriam suficientes para promover uma comoção se não fosse um detalhe propagado pela empresa das janelas, que afirma estar investindo todas as energias em favor da privacidade e do poder de escolha dos internautas. Ao mesmo está conseguindo provocar a ira de meio mundo que vive da publicidade online.
O novo IE 8 apresenta algumas ‘inovações’ que permitem ao internauta navegar quase que invisível, ao possibilitar o bloqueio de praticamente todos os principais meios utilizados para rastreamento na web. As novas implementações do IE, InPrivate Browsing, InPrivate Blocking e InPrivate Subscriptions permite bloquear conteúdo de terceiros, como scripts utilizados para entrega de anúncios e rastreamento de navegação.
Na prática essas opções podem evitar a exibição de anúncios e de programas de gerenciamento de acessos, como o Analytics.
Bloqueio de anúncios e scripts
Não custa lembrar que o Safari e algumas extensões do Firefox, como o Adblock, já permitem o bloqueio de conteúdo como anúncios. A Microsoft não inventou a roda, novamente. Mas como 1 em cada 4 internautas usa o IE, é óbvio pensar na possibilidade de que aumente bastante o nº de visitantes que queiram bloquear esse tipo de conteúdo.
Isso me faz pensar no seguinte: até que ponto é válido permitir que uma pessoa que esteja navegando por um site possa evitar que certa parte do conteúdo seja exibido?
Fazendo uma relação com a mídia impressa, é como se você pudesse chegar na banca de revistas da esquina para comprar uma revista como a Veja e o vendedor te oferecesse a opção de comprar a última edição com todos os anúncios pintados de branco. Será que a Editora Abril não iria ter o direito de processar o cara por acabar com o conteúdo que estava sendo vendido originalmente?
Claro que internet é uma mídia diferente e o certo e o errado ainda não foram exatamente escolhidos, mas vale ter essa relação em mente.
Eu penso o seguinte: esse texto é o meu conteúdo e você pode ler do começo ao fim sem pagar um centavo por isso. Em troca eu exibo algumas propagandas ao lado. Você não quer ver propaganda? Não leia, simples assim.
Claro que o lançamento do IE8 vai gerar uma série de scripts que irão bloquear o browser, como plugins para WordPress (o sistema de gerenciamento de conteúdo que utilizo nesse blog) que permitirão bloquear usuários do IE8. É como falar o seguinte: se você não vai ver a propaganda que sustenta esse conteúdo e se eu não posso saber que você esteve aqui, porque eu vou querer que você veja o meu conteúdo?
Publicidade online e fatias do mercado
Agora, falando sério: é claro que o objetivo da Microsoft não preservar a privacidade dos internautas. O objetivo por trás do estardalhaço das novas funções do IE8 é o desespero de tentar conter a influência e o poder crescente do Google.
No mundo dos negócios e da política tudo funciona dessa maneira. Para o povo a cara de bonzinho, mas os reais objetivos do negócio ficam restritos ao consumo interno.
Google Chrome
Nem falei sobre o Chrome, mas nem é necessário. Estou utilizando ele para escrever esse texto e todos os sites pelos quais naveguei funcionaram perfeitamente. Sinal de que todo browser do mercado (mesmo na 1ª versão) sabe ler corretamente os códigos html que geram uma página na internet. Menos o IE, é claro.
Vale acompanhar o anúncio do beta2 do IE8 no blog da Microsoft. Não deixe de ler os comentários.
[update] Esqueci de comentar uma coisa que chamou minha atenção nesse texto do blog da Microsoft. Eles citam como exemplo uma pessoa que estivesse entrando em um shopping e desse (ou não) autorização para que cada loja registrasse que ele esteve lá. Eles dizem que a pessoa pode escolher (ou não) ser rastreada no shopping.
Na real a minha impressão é que com essa possibilidade de navegar invisível a coisa está mais para o seguinte: a pessoa entra no shopping sem ser detectada e pode fazer o que quiser (literalmente) sem que ninguém tenha como saber que foi ela que esteve lá e fez o que fez.
Será que isso seria correto?



Não te conheço e vi sua página por acaso (o acaso tem nome, Google).
Mas, tenho que parabenizá-lo pelo excelente raciocínio.
Meu parabéns.
as páginas do último segundo não abrem direito no Chrome! rs…