Greves – uma resposta ao Reverendo Ibrahim



Ibrahim

Entendo a tua opinião expressa no texto Sobre greves, mas não concordo com ela.

A greve não faz sentido em um mundo utópico e perfeito, onde o senso de humanismo e igualdade predomina. Mas esse mundo não existe.

A questão é que quando alguém tem o controle da situação e das decisões, é normal que injustiças ocorram e que os injustiçados queiram se manifestar de alguma maneira.

Muitas vezes a greve é a única e última solução que existe. Lógico que é muito mais bonito dizer que as pessoas precisam conversar para resolver suas divergências, mas não vamos ser ingênuos a ponto de achar que essa conversa funciona sempre.

Quantas vezes na história da humanidade a sociedade evoluiu em função das pessoas que não se conformaram e não ficaram caladas diante de injustiças?

Acho complicado se posicionar contra ou a favor das greves de uma maneira genérica, pois existem greves e greves.

Não sei a qual greve você se refere quando diz que “Somente nos resta torcer para que resolvam o impasse o mais breve possível.”, mas parece ser uma greve específica. Não acho que essa relação que você está tendo com essa greve em especial possa formar todo o seu conceito sobre o direito de greve.

Mezzo off-topic: Um dos melhores discos ao vivo de todos os tempos cita a greve no título, o que é mais um motivo para olhar com carinho essa questão: “On Strike or songs the Lord taught us” do Echo & the Bunnymen.


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Escrito em 27 mai 2007

3 Comentários para " Greves – uma resposta ao Reverendo Ibrahim "

  1. Ibrahim Cesar disse:

    Eu não concordo com greves, mas reconheço sua função na “grande figura”. Quando eu digo que somente nos resta torcer para que resolvam o impasse o mais breve possível eu quero dizer que a greve deve durar o mínimo possível, sempre. Greves dos sistemas públicos de transporte literalmente causam prejuízo a centenas (milhares?) de pessoas que deles dependem. Algumas evoluem a confrontos diretos e físicos. reconheço o valo de uma greve, mas ela é uma resposta violenta a um problema e que como um vírus, não apenas prejudica seu hospedeiro como ameaça derrubá-lo.

    Fazer uma greve não difere, moralmente, do que o PCC fez em escala sensasional quando todo o estado de São Paulo parou. É terrorismo. Não usei essa palavra em meu texto, mas após terminar a leitura de “Terroristas do Milênio” é a melhor maneira de qualificar tais atos que ameçam rompem com o Status Q, o popular “andar da carruagem”. No fim acabam sendo um espetáculo, onde a sociedade descarrega seus impulsos de violência.

    “Quantas vezes na história da humanidade a sociedade evoluiu em função das pessoas que não se conformaram e não ficaram caladas diante de injustiças?” Essa é uma coisa na qual eu acredito e muito. Mas por que será que o mundo sempre encontra um jeito ou outro de voltar a forma como estava antes? A “revolução” mais conhecida; a Francesa, bastou os rebeldes tomarem o poder e as cabeças rolarem na guilhotina exatamente como acontecia com eles antes.

    Vou baixar a canção do Echo & the Bunnymen,é uma banda de que ouço falar há muito tempo, mas nunca ouvi nada. É realmente boa?

  2. Ibrahim

    O Echo era uma das melhores coisas que existiam nos anos 80. A música deles não sobreviveu ao tempo com tanto vigor como o Jesus & Mary Chain, mas mesmo assim ainda consigo ouvir e achar bom.

    O ‘On Strike’ é um disco ao vivo de covers em que eles tocam algumas das melhores músicas dos anos 60/70, como Friction do Television, It’s all over now Baby Blue do Bob Dylan e Run run run do Velvet Underground.

    Ouve o disco ‘Ocean Rain’ de 84 que tu não vai te arrepender. Tem Killing Moon e Seven Seas que são geniais.

  3. Thássius disse:

    Cada greve é uma greve. Às vezes é necessário, a ponto de estar previsto na Constituição. O que não pode é ter setores fundamentais, como saúde ou previdência, paralizando completamente por longos períodos.

    As passeatas hoje em dia não resolvem muita coisa não têm mais tanta expressão. Então fica a cargo da greve pressionar as lideranças nacionais, principalmente os políticos.

    Quando uma fábrica entra em greve, é o patrão quem leva prejuízo. Quando um setor público ou essencial (ex.: transportes) faz o mesmo, é a sociedade inteira quem perde.

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