Ibrahim
Entendo a tua opinião expressa no texto Sobre greves, mas não concordo com ela.
A greve não faz sentido em um mundo utópico e perfeito, onde o senso de humanismo e igualdade predomina. Mas esse mundo não existe.
A questão é que quando alguém tem o controle da situação e das decisões, é normal que injustiças ocorram e que os injustiçados queiram se manifestar de alguma maneira.
Muitas vezes a greve é a única e última solução que existe. Lógico que é muito mais bonito dizer que as pessoas precisam conversar para resolver suas divergências, mas não vamos ser ingênuos a ponto de achar que essa conversa funciona sempre.
Quantas vezes na história da humanidade a sociedade evoluiu em função das pessoas que não se conformaram e não ficaram caladas diante de injustiças?
Acho complicado se posicionar contra ou a favor das greves de uma maneira genérica, pois existem greves e greves.
Não sei a qual greve você se refere quando diz que “Somente nos resta torcer para que resolvam o impasse o mais breve possível.”, mas parece ser uma greve específica. Não acho que essa relação que você está tendo com essa greve em especial possa formar todo o seu conceito sobre o direito de greve.
Mezzo off-topic: Um dos melhores discos ao vivo de todos os tempos cita a greve no título, o que é mais um motivo para olhar com carinho essa questão: “On Strike or songs the Lord taught us” do Echo & the Bunnymen.


Thássius
mai 27. 2007
Cada greve é uma greve. Às vezes é necessário, a ponto de estar previsto na Constituição. O que não pode é ter setores fundamentais, como saúde ou previdência, paralizando completamente por longos períodos.
As passeatas hoje em dia não resolvem muita coisa não têm mais tanta expressão. Então fica a cargo da greve pressionar as lideranças nacionais, principalmente os políticos.
Quando uma fábrica entra em greve, é o patrão quem leva prejuízo. Quando um setor público ou essencial (ex.: transportes) faz o mesmo, é a sociedade inteira quem perde.
dudu tomaselli
mai 27. 2007
Ibrahim
O Echo era uma das melhores coisas que existiam nos anos 80. A música deles não sobreviveu ao tempo com tanto vigor como o Jesus & Mary Chain, mas mesmo assim ainda consigo ouvir e achar bom.
O ‘On Strike’ é um disco ao vivo de covers em que eles tocam algumas das melhores músicas dos anos 60/70, como Friction do Television, It’s all over now Baby Blue do Bob Dylan e Run run run do Velvet Underground.
Ouve o disco ‘Ocean Rain’ de 84 que tu não vai te arrepender. Tem Killing Moon e Seven Seas que são geniais.
Ibrahim Cesar
mai 27. 2007
Eu não concordo com greves, mas reconheço sua função na “grande figura”. Quando eu digo que somente nos resta torcer para que resolvam o impasse o mais breve possível eu quero dizer que a greve deve durar o mínimo possível, sempre. Greves dos sistemas públicos de transporte literalmente causam prejuízo a centenas (milhares?) de pessoas que deles dependem. Algumas evoluem a confrontos diretos e físicos. reconheço o valo de uma greve, mas ela é uma resposta violenta a um problema e que como um vírus, não apenas prejudica seu hospedeiro como ameaça derrubá-lo.
Fazer uma greve não difere, moralmente, do que o PCC fez em escala sensasional quando todo o estado de São Paulo parou. É terrorismo. Não usei essa palavra em meu texto, mas após terminar a leitura de “Terroristas do Milênio” é a melhor maneira de qualificar tais atos que ameçam rompem com o Status Q, o popular “andar da carruagem”. No fim acabam sendo um espetáculo, onde a sociedade descarrega seus impulsos de violência.
“Quantas vezes na história da humanidade a sociedade evoluiu em função das pessoas que não se conformaram e não ficaram caladas diante de injustiças?” Essa é uma coisa na qual eu acredito e muito. Mas por que será que o mundo sempre encontra um jeito ou outro de voltar a forma como estava antes? A “revolução” mais conhecida; a Francesa, bastou os rebeldes tomarem o poder e as cabeças rolarem na guilhotina exatamente como acontecia com eles antes.
Vou baixar a canção do Echo & the Bunnymen,é uma banda de que ouço falar há muito tempo, mas nunca ouvi nada. É realmente boa?