Legalização da venda de drogas - o melhor de Tropa de Elite
Publicado em | 29 Outubro 2007 |
A Lilaliss perguntou: qual parte ou idéia do filme ‘Tropa de Elite’ que você mais gostou? E eu respondo: da parte em que os traficantes matam Neto, o ex-futuro substituto do Capitão Nascimento. É como se ali ficasse claro que a solução convencional para o problema da violência nas grandes cidades - polícia, repressão ao consumo, batidas nas favelas - não teve o sucesso esperado e que está mais do que na hora de pensar em um novo caminho.
Quando assisti o filme quase levei um susto pois não esperava um filme tão maduro e bem feito. Não imaginava que o diretor Josè Padilha pudesse sair do documentário “Ônibus 174″ e fazer um filme com o ritmo e a qualidade de Tropa de Elite.
Como cinema o filme é dez, mas como crítica social é ainda melhor.
Essa história de que o filme faz apologia ao estilo violento do BOPE não passa de discurso tosco de quem ficou chocado com uma violência que raramente ultrapassa os limites dos condomínios fechados onde grande parte da classe média se esconde. Que é a mesma origem de quem passou a aplaudir a elite da polícia carioca, por entender que só vamos resolver nossos problemas na base da porrada.
Na real o grande barato do filme está em mostrar na tela o quanto a situação está descontrolada e em como já passou do momento de buscarmos novas saídas.
Pra mim a grande solução é: legalização da venda de drogas. Colocar as porcarias todas pra vender em farmácias, com preços subsidiados e sob o controle do governo. Quero ver se o tráfico não se auto destruirá em poucos anos.
Só que isso poderia eliminar a mamata da corrupção policial e de mais um monte de gente interessada em que a coisa continue do jeito que está. E se pensarmos que esse tipo de mudança da sociedade poderia colocar em risco o dinheiro fácil que sustenta o submundo da política, então é mais fácil que o mundo acabe antes do que a violência.

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Comentários
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29 Outubro 2007 @ 11:19 pm
Vamos acabar com o tráfico de drogas legalizando as drogas. Certo. Isto acaba com o tráfico, mas não acaba com o problema social. Onde é que esse pessoal irá trabalhar? Será que de um dia pro outro eles irão conseguir emprego? E quantos quererão trabalho?
Provavelmente iria se inaugurar outro tipo de contravenção, do tipo tráfico de órgãos…
abraço
29 Outubro 2007 @ 11:25 pm
Norberto
Se a gente pensar na quantidade de recursos e no tempo que são gastos combatendo o tráfico, acho que iria sobrar bastante pra investir em alternativas.
Ou será que o melhor é fazer cadeia e prender todo esse povo?
30 Outubro 2007 @ 12:51 am
Não assisti a porquera desse filme ainda!
Queria ir pro RJ pra ver com a minha Ana, mas pelo jeito vou apelar pra pirataria mesmo!
x)
30 Outubro 2007 @ 1:09 am
poxa dudu, que legal q vc aceitou a minha pergunta, valeu. inte.
30 Outubro 2007 @ 8:42 am
Dudu,
agora você está mais perto do problema. Investimento em alternativas. Quem quer realmente investir em alternativas? Está aí a Educação Brasileira para te dar uma resposta bem convincente…
abraço
30 Outubro 2007 @ 12:17 pm
Norberto, desde quando educação é solução para todos os problemas?
engraçado como o pessoal procura sempre uma fórmula mágica, lembrando que os maiores genocidas foram educados com o que havia de melhor em suas épocas, Mao, Stalin, Fidel, Hitler, PolPot.. todos com nível superior!
Morre mais gente no tráfico do que propriamente pelas drogas.
Enquanto não liberarem o mundo vai perder a luta contra as drogas, só combatendo de frente o problema, ou seja, no ambito de saúde publica é que vai melhorar a situação dos viciados, porque não se pode tratar na saúde sobre algo que é ilegal.
30 Outubro 2007 @ 6:42 pm
Cristiano,
não disse em nenhum momento que a educação é solução para todos os problemas. E não há solução mágica para problema algum.
No entanto, esse argumento que você apresentou é deveras preocupante porque dá a entender que por termos nível superior somos genocidas. Ser sofista certamente não nos dará o caminho para avançar um milímetro sequer para solucionar o problema.
O arqumento que apresentei mais acima, para o Dudu, é que ninguém quer investir em alternativas para solucionar esse problema. Do mesmo modo que para com a educação. É por isso que ela anda mal das pernas…
Beleza?
2 Novembro 2007 @ 3:49 pm
Opa opa opa!
Essa discussão é das boas. Até hoje estou indignado com nossos gigantes da área do cinema(Bruno Barreto, Hector Babenco e Rubens E. Fillho) por não elegerem o Tropa de Elite para ser o filme brasileiro a pré-concorrer ao Oscar. Mas esse papo é fútil.
Quanto a essência do filme, o brilhantismo está mesmo na capacidade de jogar a gente pra dentro do filme ou provocar as reflexões que precisamos fazer. E as perspectivas são várias.
Primeira de todas que considerei(e que sempre pensei): é o usuário que financia toda corja do tráfico. Quando assassinaram um professor num cursinho aqui próximo, tentando roubar o carro dele para comprar drogas, houve toda uma comoção, centenhas de milhares de estudantes foram lá protestar contra a violência. E eu vi exatamente essa cena no filme.
Os mesmos estudantes que frequentavam uma boca de fumo(conseguimos fechar o lugar graças a Deus), com professores que posavam de liberais e tolerantes, estavam lá agora todos posando de vítimas e clamando por justiça… isso é enojante.
Pensem na quantidade de gente que rouba por causa de drogas, causa acidentes de trânsito por uso de alcool(imaginem então com a liberalização das drogas), o impacto na saúde pública,
Você que quer puxar o seu fuminho, ou enfiar tua narina nessa merda, deveria é pagar pelo que faz: financiamento do tráfico de drogas. Obrigar o usuário a trabalhar duro em clinicas de reabilitação ou alguma pena que se convertesse em benefícios a sociedade.
Liberar? Se nosso país fosse a Holanda tudo bem. O problema é que estamos no Brasil. Já notaram como aumentou a quantidade de usuários de crack nas ruas? Aqui em Florianópolis e acredito que em outros grandes centros a coisa está medonha. Infelizmente nosso país não está preparado para enfrentar a degradação social em função dessa liberação. É o que penso, mas…
…a violência do tráfico chegou a tal nível que merece ser combatida por outros meios. Grandes projetos deveriam ser feitos, com planejamentos adequados. Não conseguiram diminuir a quantidade de fumantes? Então é de se estudar sim as consequencias, qualificar e quantificar as melhores opções.
Ainda assim, penso que um filho que tem a devida atenção e carinho dos seus pais, uma boa educação em que é mostrada a realidade nua e crua dos usuários de drogas e seus efeitos, muito dificilmente vai mais tarde ainda assim optar por se auto-destruir.
Aí alguns vão me dizer: é mas não estamos na Holanda ou em países de primeiro mundo onde há essas famílias ou instituições idealizadas. Eu respondo: é verdade. Esse debate precisa ir muito mais a fundo do que imaginamos.
3 Novembro 2007 @ 10:17 pm
Já parou pra pensar que o consumo e a dependência é um problema de saúde pública… um pouco além do crime de tráfico… com isso quero dizer que seria mais fácil o acesso às drogas e assim aumentaríamos o número de dependentes. Aliás, a classe média e alta teriam como financiar seu consumo, mas os menos providos financeiramente iriam pagar como… com crimes (furtos e roubos). Gostaria muito de saber sua opinião sobre isso. Obrigado.
4 Novembro 2007 @ 3:49 pm
Leonardo
É exatamente como você falou: a dependência é um problema de saúde pública e como tal deve ser tratado.
Quando a aumentar os casos de roubo e furto por causa da legalização das drogas eu não acho que isso iria ocorrer.
Ou tu acha que quem quer consumir drogas tem alguma problema em conseguir hoje?
Eles tem os mesmos problemas de dinheiro que iriam ter se as drogas estivessem à venda em farmácias.
É só ver a quantidade de roubos e mortes que ocorrem exatamente por causa dos viciados em crack que existem pelas ruas. Esse é apenas mais um dos problemas que não são encarados com seriedade pelas nossas autoridades.
5 Novembro 2007 @ 10:09 am
Quando cheguei em Florianópolis há quatro anos atrás, fui abordado na entrada do supermercado por um cara implorando pra ajudar a comprar remédio para o filho dele, que estava mal e lembro que a expressão dele tinha me parecido bem verdadeira, dei um trocado e pra minha surpresa logo quando saí, avistei na esquina o mesmo sujeito fumando cigarro.
Anos depois em uma reportagem sobre usuários de crack nas ruas de Florianópolis, filmaram diversos deles e reconheci o mesmo sujeito nas filmagens. Dias depois, caminhando com minha esposa, o mesmo sujeito nos abordou na rua e veio com aquela velha conversa de quatro anos atrás. Minha amada, sensibilizada com o drama,já puxava um trocado da bolsa, quando parei o braço dela e alertei que já havia caído naquela. O cara soltou um olhar fulminante e foi embora.
No condomínio do nosso prédio furtos começaram a acontecer quando coincidentemente um morador novo veio para cá, passando a causar transtornos para os vizinhos e chegando a vir me ameaçar de morte, cara-a-cara na porta de meu apartamento. Alegando para si o direito de apenas puxar o seu fuminho em paz. Paz? E o inferno para todos os moradores em volta? Esse caso foi pedreira.
Esse ciclo precisa ser muito bem analizado em qualquer projeto que seja feito.
Há uma forte relação com a violência originada pela necessidade de conseguir dinheiro para pagar o uso das drogas.
Considerando que a liberalização cause, pelo menos de início, um considerável aumento no consumo e por conseguinte a violênica, quais as contra-medidas que seriam adotadas?
6 Novembro 2007 @ 8:55 pm
Eu comentar sobre o problema até que li o comentário do Norberto.
Desuculpe, mas estas pessoas vão para o tráfico justamente por que não tem expectativa melhor de vida, e já estão contabilizadas no número de desempregados, afinal Traficante não é uma classe operária .