Nos porões das grandes empresas
Publicado em | 31 Janeiro 2008 |
Ao longo das décadas o setor administrativo das empresas virou setor de pessoal, que virou arh, que virou recursos humanos, que se tornou gestão de pessoas. Hoje é quase impossível encontrar uma empresa de grande porte que não tenha todo um discurso bem elaborado sobre a política adotada no relacionamento com os funcionários.
Mudou porque?
A mudança de enfoque na gestão de pessoas das grandes empresas não foi natural. Ela foi forçada pela questão da responsabilidade sócio-ambiental, que tornou quase obrigatório mostrar ao público - por motivos óbvios - que dentro de casa, ela - a empresa - está agindo com transparência e ética, da mesma maneira que os clientes esperam que ela aja com eles.
Como é na real?
A verdade é que na vida real dos porões dos departamentos as coisas não funcionam como na propaganda, pois essa política de relacionamento funcional depende das castas inferiores de gerentes para ser colocada em prática. O motivo pode ser a dificuldade de acompanhar, treinar e cobrar uma atitude transparente dos gerentes de equipes - ou chefes.
Grandes empresas inevitavelmente possuem grandes quantidades de equipes e isso pressupõe a existência de um sem número de chefes. Todos eles gostariam de um dia serem considerados líderes, mas a verdade é que poucos vão conseguir chegar lá.

E isso é comum?
É muito mais comum do que a gente imagina. A quantidade de pessoas despreparadas que assumem funções de chefia e acabam tocando o barco escondidos atrás do cargo, como se a equipe fosse apenas um aglomerado de escravos que não tem o direito de pensar e devem a tudo obedecer cegamente, é enorme.
Hoje é muito fácil mostrar conhecimento. É fácil conhecer as melhores práticas da Gestão de Pessoas mas não saber colocar em prática.
O que fazer?
Rir da situação é sempre a melhor solução. Se não for possível ou se a situação for realmente de chorar, talvez esteja na hora de começar a rezar. E pedir aos céus que sua empresa adote algum tipo de programa de demissão voluntária e obrigue esses funcionários a saírem.
Agora me responda:
Você já encontrou um chefe que era o que poderia haver de pior? Já torceu pro final de semana não acabar nunca?
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Comentários
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2 Fevereiro 2008 @ 9:59 am
Tudo haver, não?
5 Fevereiro 2008 @ 6:49 pm
Dudu, aqui no Brasil se dá muito valor ainda essa hierarquia bastante vertical, o setor público que o diga, cheguei a ter 6 chefias até o secretário em uma secretaria passada
Fora que não encontramos bons salários se não formos chefes, é impressionante como o técnico não é valorizado.
6 Fevereiro 2008 @ 12:33 am
Christiano
E pior do que a não valorização em termos de grana é a não valorização da capacidade intelectual. É de lamentar mesmo.
abrs