O fato do presidente Lula ter afirmado que as acusações de fraude na eleição para presidente do Irã serem “um ato de perdedores” é um tanto emblemático. Se ele mesmo diz que “ainda não estava totalmente informado sobre o que aconteceu no Irã”, então como é possível que saia chamando o que está acontecendo em Teerã de “protesto de quem perdeu”?
O Irã não é uma democracia, assim como a Venezuela e Cuba não são. E qualquer um com um mínimo de noção sabe que em condições políticas como essa é comum que os interesses de quem manda estejam acima de “detalhes pequenos” como honestidade, interesse coletivo e verdade. (Mais ou menos como no Brasil – isso que aqui é uma democracia)
Os votos foram contados direito? Todos puderam votar? Não sei.
O certo é que o Conselho de Guardiões é quem manda no país desde 1979. Nesses 30 anos a Revolução Islâmica sufocou o que restava da cultura persa e é impossível que alguém que eles não queiram seja eleito presidente do país. Mesmo que o presidente não tenha muito poder para decidir os rumos políticos do país.
Agora a pouco foi anunciado que o Conselho de Guardiões decidiu fazer a recontagem de votos. Não deve mudar o resultado, mas pode servir como um sinal ao nosso presidente de que ele deveria manter a boca fechada até se inteirar melhor dos acontecimentos.
Fico pensando: qual seria o interesse do Lula em ficar puxando o saco as barbas do Khamenei? Deve ser para que em uma futura visita ao Irã ele possa dizer algo do tipo: “já me chamaram de sapo barbudo também, mas eu me dei bem e defendi vocês na eleição do ano passado”.



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